Tatsumi Hijikata

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Tatsumi Hijikata (土方 巽 Hijikata Tatsumi Akita, 9 de março de 1928 - 21 de janeiro de 1986), bailarino, coreógrafo e performer japonês, criador da dança-teatro Butô.
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Imagem retirada de: http://images.tribe.net/tribe/upload/photo/522/e5b/522e5b92-e4f1-40d9-b0d3-64f83f7604aa dia 25/04/2013 às 12:50h

Vida

Tatsumi nasceu em 1928, em Akita, norte do Japão, o caçula de 9 irmãos, seu nome era Kunio Motofugi. A partir de 1947, transitou entre sua cidade natal e Tóquio e, em 1952, mudou-se permanentemente para a capital. Desde o inicio do seu estudo em dança até 1956 usava o nome Kunio Hijikata. Estudou sapateado, jazz, flamenco, balé clássico e a dança expressionista alemã. Por diversas vezes manifestou sua predileção pelo balé por apreciar a precisão e o rigor que a técnica exige e também por sua admiração pelo bailarino Vaslav Nijinsky.
Na década de 40, Tatsumi chamou a atenção da população de Tóquio por desenvolver performances de resistência à invasão cultural ocidental que o país sofria, apresentando-se em locais da periferia japonesa em boates, cabarés e pelas ruas. E nos anos 50, nesse ambiente, desenvolveu o Ankoku Butoh, sendo depois chamado apenas de Butô. Sem querer propor novidades nem negar o passado, buscava explorar o corpo e a consciência em sua plenitude. Sua dança seria um colapso corporal motivado pelo fluxo que emerge da morte.
A partir do Butô, Hijikata promoveu uma revolução através do corpo, submetendo o corpo a "deformidade", exacerbando o que há de grotesco no interior humano. Assim expondo no palco o caos do século XX, pôs na prática o que Antonin Artaud chamaria de "corpo sem órgãos", um corpo em êxtase, para além da anatomia, um corpo imagético gerado por estados singulares de percepção do próprio corpo.

Em 1959, apresenta uma performance coreografada e interpretada por ele e Yoshito Ohno, filho de Kazuo Ohno. Kinjiki (Forbiden Colors, Cores Proibidas) inspirada no romance de mesmo nome de Yukio Mishima e escritos de Jean Genet aborda temas como homossexualidade, morte e violência.A dança levava cinco minutos e não tinha música. Yoshito, ainda muito jovem começava a performance lendo as palmas da mão. Mantinha uma distancia de Hijikata. Instantes depois, recebia uma galinha das mãos do personagem de Hijikata (um homem mais velho). Os braços estendidos. E e tão simulava sexo com a ave entre suas pernas, acabando por matá-la, para depois sucumbir ao ataque do próprio Hijikata.
Após a apresentação artistas também se impressionaram com tal revolução que ela representava, se identificaram com o pensamento e continuaram a trabalhar com Hijikata, como foi com o próprio escritor de Kinjiki, Mishima, e o fotógrafo Eikô Hosoe. Hosoe começou, a partir de então, a fotografar Hijikita, sua esposa Akiko Motofuji (que também dançava) e Mishima.
Em novembro de 61, reuniu o grupo, que contava com Kazuo Ohno, Yoshito, Mitsutaka Ishii e Akira Kassai como ankoku botoh-ha. E esse grupo durou até 1966. Em 1970, passou a ser chamado apenas de butô. A inspiração em Jean Genet lhe rendeu outros trabalhos, entre eles uma dança baseada em Notre Dame des Fleurs. Mas, a coreografia Anma-Aiyoku o Sasaeru Gegijo no Hanashi (O Massagistaa Cego, uma história teatral para suportar amor e luxúria), de 1963, marca o final da fase de criação inspirada em obras literárias.
No final dos anos 60, começam a surgir expressões como o beshimi kata. Hijikata se baseia nas máscaras O-Beshimi para caracterização de sua maquiagem e a expressão facial. As máscaras O-Beshimi, de acordo com a tradição, são utilizadas por divindades e demônios, a boca é firmemente fechada, como um sorriso, uma expressão tensa que cria rugas na testa e os olhos parecem saltar do rosto, no butô, porém, Hijikata trabalhava com os olhos revirados.
Tatsumi Hijikata também começa a se preocupar mais com a investigação corporal do que se inspirar em narrativas. Assim, os espetáculos começavam a tomar formas performáticas, alguns eram apresentados apenas uma única vez.
Em 65, na coreografia Bara Iro Dansu (A Dança da Rosa Colorida) Hijikata usava princípios da medicina chinesa, utilizando diagramas e mapas anatômicos como cenário. Esse trabalho marca a parceria entre Hijikata e Kazuo Ohno.
Aos 39 anos, Hijikata volta a sua terra natal para reavaliar seu trabalho. E talvez por influência desse momento, em 1968 produziu um recital com valsa, tango, flamenco e outros estilos ocidentais, foi um marco de despedida de conexão do seu trabalho com o Ocidente. Esse momento de reclusão se deu também na sua percepção do próprio corpo, fez dieta de leite e sopa, bronzeamento artificial preparando-se para sua nova coreografia Nihonjin to Hijikata Tatsumi- Nikutai no Hanran (Revolta da Carne: Tatsumi e os japoneses).

Depois de 1970, passou por uma fase de reclusão profunda e ficou quatro anos em silêncio se preparando e buscando uma movimentação próxima ao começo da vida. Ele acreditava que as mulheres detinham o conhecimento dessa movimentação e assim dançariam da forma que Hijikata desejava e formou o grupo Hakutôbô e, em 1974, apresentou o trabalho desenvolvido durante os anos de reclusão.
Em 1980, o Butô ficou reconhecido mundialmente, principalmente na Europa e Nova York. Porém, em 85, próprio Hijikata declara que as obras produzidas desviam da essência original do movimento.
Há poucos registros disponíveis sobre Tatsumi Hijikata para além do Japão, já que a divulgação de gravações de obras e imagens são não permitidas por questões de direitos autorais. A obra completa foi publicada em dois volumes, apenas em japonês, com tiragem limitada e já esgotada. Além disso, a tradução desta publicação exige que o tradutor seja profundamente conhecedor das invenções de metáforas e onomatopéias de Hijikata.

Referências

Bibliografia
BAIOCCHI, Maura. Butoh: Dança veredas d'alma. [S.l.]: Palas Athena, 1995. 132 p. ISBN 85-7242-011-8. BOGÉA, Inês; LUISI, Emidio (Fotog.). Kazuo Ohno. São Paulo - SP: Cosac & Naify, 2002. 144 p., il. ISBN 85-7503-157-0.
GREINER, Christine. Butô: Pensamento em evolução. Ilustrações de Rachel Zuanon. São Paulo - SP: Escrituras Editora Ltda, 1998. 136 p., il., 22 x 22 cm. ISBN 85-86303-32-1.

E-book
GREINER, Christine. O colapso do corpo a partir do ankoku butô de Hijikata Tatsumi - disponível no dia 10/04/2013 em: http://www.japonartesescenicas.org/estudiosjaponeses/articulos/ankokubutoh.pdf

GREINER, Christine. A diáspora do corpo em crise: do teatro japonês aos novos processos de comunicação do ator contemporâneo - disponível no dia 10/04/2013 em: http://www.revistasalapreta.com.br/index.php/salapreta/article/view/102/100

TIBÚRCIO, Larissa Kelly. Visibilidades Espaço-Temporais do Corpo na Dança Butô - disponível no dia 10/04/2013 em: http://www.portalabrace.org/vcongresso/textos/dancacorpo/Larissa%20Kelly%20de%20O%20M%20Tiburcio%20-%20VISIBILIDADES%20ESPACO-TEMPORAIS%20DO%20CORPO%20NA%20DANCA%20BUTO.pdf

CALDEIRA, Solange. BUTOH: A DANÇA DA ESCURIDÃO - disponível no dia 10/04/2013 em: http://www.mimus.com.br/solange2.pdf

Sites
http://en.wikipedia.org/wiki/Tatsumi_Hijikata
http://idanca.net/vestigios-do-buto/
http://www.glopad.org/jparc/?q=en/node/21837
--Monique Anny 13h02min de 5 de maio de 2013 (BRT)

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