Dzi Croquettes

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No período de maior repressão promovido pela ditadura militar brasileira, 13 artistas se juntam para formar um grupo que revolucionaria o cenário artistico dentro e fora do país.
Em agosto de 1972, o artista plástico, ator e autor Wagner Ribeiro se reuniu com três amigos em um bar para apresentar a proposta do espetáculo. O nome do grupo nasceu a partir do nome do petisco que comiam, porém se assemelhava ao nome do grupo americano, The Crocketts, então "aportuguezando" a palavra "The", Wagner propôs "Dzi".

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Os Croquettes

O grupo contava com treze jovens de classe média, de idade entre 18 a 30 anos, moravam juntos em uma casa em Santa Teresa, essa integração os tornou uma grande família. Contavam com a ilustre presença de Lennie Dale bailarino americano, veio ao Brasil contratado pelo empresário Carlos Machado e se apaixonou pelo ritimo brasileiro da bossa nova e aqui ficou. Lennie era o "pai", que deu ao grupo o profissionalismo e exigia rigorosas 8 horas de ensaio por dia. Wagner Ribeiro, era a "mãe", que já havia feito medicina, filosofia, belas artes e teatro era responsável pelo roteiro, texto e músicas.
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Lennie Dale
Wagner Ribeiro
Benedicto Lacerda
Bayard Tonelli
Rogério de Poly
Ciro Barcellos
Claudio Tovar
Paulo Bacellar
Claudio Gaya
Carlos Machado (Lotinha)
Reginaldo Rodrigues
Roberto Rodrigues
Benedictus Lacerda

Os Dzi Croquettes estreiaram no lendário cabaret Casanova na Lapa, no Centro do Rio de Janeiro com o espetáculo Gente Computada Igual a Você, ironizavam abertamente os valores políticos, comportamentais e sexuais da época. Mas foi na boate Monsieur Pujol, de Miéle e Bôscoli, em Ipanema que tiveram a estréia registrada por jornais e revistas. O público carioca ficou surpreso com o grupo que punha no palco figuras estranhas e engraçadas: odaliscas, pierrôs, freiras, grávidas, prostitutas, clows, vedetes, rumbeiras e malandros. Que dançavam de forma inovadora, cantavam e interpretavam sem que fossem necessariamente atores, cantores e bailarinos. Homens fortes vestidos de mulher, com grande sensualidade e graça, muita porpurina, vestido, maquiagem. Andróginos de meia arrastão rasgada, enormes saltos plataforma, peito e pernas cabeludas. Até esse momento a Censura provavelmente ainda não se dava conta da revolução sexual e intelectual que estava em cena. Faziam uma mistura entre o Carnaval, cabaret, teatro de revista, jazz, musicais da Brodway, o movimento Antropofágico e bossa nova.
O espetáculo começou a criar um movimento em volta dele, as pessoas se vestiam e se comportavam como eles, revolucionando o pensamento sexual e comportamental. Assim, começou a criar um grupo de mulheres que os seguiam, as Dzi Croquetas. Eram vinte mulheres, mães, donas de casa, avós, trabalhadoras. Mais tarde, algumas delas criaram As Frenéticas.
Em São Paulo, passaram seis meses no Teatro Bexiga, com disputadas sessões à meia-noite às sextas e sábados, que terminavam em grandes festas ao som de James Brown, na arena do teatro.
Em 1974, voltam ao Rio para a reestréia no Teatro da Praia, em Copabana. Quinze dias depois, Lennie Dale quebrou quatro costelas devido a um atropelamento por um ônibus quando voltava de uma gravação de um musical para o Fantástico na Globo. Os médicos recomendaram que o bailarino só voltasse a dançar em três meses, porém, em 40 dias, Lennie voltava à cena e o espetáculo regressou com um sucesso ainda maior.

A Censura

Tamanho sucesso chamou a atenção da Censura que foi rever o espetáculo numa sessã fechada. Por fim, foi decretada a proibição do espetáculo sem direito a recurso, acarretando na suspensão da temporada. Três dos Croquettes eram filhos de militares e conseguira alvará provisório. Mas ainda havia um clima de insegurança no grupo, poderia a qualquer momento haver uma nova proibição e suspensão da temporada. Então resolveram aceitar um convite para apresentações em Portugal e na França. Fizeram novas apresentações no Teatro Maria Della Costa, em São Paulo, para arrecadar dinheiro para a turnê européia.

Turnê européia

Embaracaram em julho de 1974 em Santos no navio Cristophoro Colombo, passaram por Buenos Aires e, depois de onze dias, chegaram a Lisboa. Portugal acabava de passar pela Revolução dos Cravos e encaravam os Coquettes com certo conservadorismo, ainda que gostassem. O grupo não obteve grande repercussão.
Em Paris, a turnê foi articulada pelo fotógrafo Patrice Calmettes, que deu o dinheiro das passagens do grupo além de empenhar recursos e contatos para a produção.
A estréia parisiense contou com personalidades da alta sociedade francesa como o estilista Valentino, a modelo Verushka, o ator Jean Claude Brialy, além de outros artistas, milionários, condessas e embaixatrizes. E logo fez grande sucesso de público e de crítica. O auge se deu quando Liza Minelli, que estava em Paris para uma apresentação e já conhecia Lennie, os assistiu e toda imprensa deu destaque ao grupo. Não demorou para que estivessem em nas festas de grandes artistas, muito sucesso, sexo e drogas: fumo, champanhe, cocaína e, mais tarde, heroína.
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Com isso, as crises começaram a surgir: atrasos, dsentendimentos, esquecimento no meio do espetáculo. Mas, logo depois, foram para Milão, Itália, ficaram dez dias em cartaz, no teatro Odeon, mas os empresários não os pagaram pelas apresentações.
Tiveram, então, que ficar hospedados em um hotel entre a Suiça e a Itália, sem previsão para uma nova temporada. Até que receberam uma ligação do teatro Bobino, que fez uma grande montagem para um espetáculo de Josephine Baker, porém a bailarina teve um infarto fulminante, e antes de falecer pediu que, caso morresse, o grupo entrasse com cartaz em seu lugar. E assim se fez, por quatro meses ocuparam o teatro. Depois, apresentaram o espetáculo no Hebertor, onde fizeram a única gravação integral.

De volta ao Brasil

Depois da temporada, haviam convites para fazer turne Londres e depois Nova Iorque, que era tão sonhada por todos. Mas foram convidados por um fazendeiro baiano e voltaram para o Brasil, no verão de 76. O cenário original não voltou ao Brasil. Foram convidados para abrir o Festival de Verão no Teatro Castro Alves, Lennie não concordou com a ideia mas prometeu ir. Na véspera da apresentação, houve uma grande discussão e Lennie anunciou sua saída do grupo, partiria de volta a Paris em três dias. Depois disso, mais outros três integrantes decidiram se afastar.
Montaram o espetáculo Dzi Croquettes Romance, em São Paulo, com seis integrantes antigos e outros novos, como Jorge Fernando. Mas não fizeram sucesso, não tinha a mesma magia.
Pouco depois, uma doença, que, no inicio, chamavam de "câncer gay", e depois descobriram que se tratava da AIDS, fez quatro vítimias no grupo. A primeira foi Marquito, depois Paulette, Eloy, Lennie e, por último, Gaya.
Lennie voltou de Paris com marcas do uso excessivo de drogas e debilitado pela AIDS mas desejava que antes de morrer fosse remontado Dzi Croquettes. Seis inttegrantes e outros seis novos fizeram parte mas o espetáculo não teve o mesmo vigor. Pouco depois, outros Croquettes também vieram a falecer. Roberto morreu de aneurisma. E três integrantes foram assassinados: Reginaldo, em Paris, com golpes na cabeça, Carlos Machado e Wagner.

Documentário

Em 2009, sob direção de Tatiana Issa e Rafael Alvarez é lançado o documentário Dzi Croquettes, que conta a história. Um dos mais premiados documentários brasileiros. Com depoimentos de Liza Minelli, Ciro Barcelos, Bayard Tonelli, Claudio Tovar, Rogério de Poli, Benedito Lacerda, Ron Lewis, Gilberto Gil, Nelson Motta e outros, em mais de 45 depoimentos colhidos.
Dzi Croquettes em Bandália Em 2012, Ciro Barcelos estreia Dzi Croquettes em Bandália, no Teatro do Leblon, no Rio de Janeiro. Com figurino e participação de Claudio Tovar. Em junho de 2013, o espetáculo é apresentado no Teatro Glauce Rocha, no Centro do Rio de Janeiro, conta com a abertura da exposição Dzi Croquettes, Te Contei? - uma história em fotos e depoimentos em comemoração aos 40 anos do grupo e o lançamento do livro de mesmo nome.
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Crédito: Kaká Boa Morte

Referencias bibliográficas

Dzi Croquettes Documentário. Direção Tatiana Issa. Lançamento 2009
Revista Fantástico. Editora Globo. Dezembro de 2008. Numero 6. Pag. 128 - 139.

Ligações Externas

http://pt.wikipedia.org/wiki/Dzi_Croquettes
--Monique Anny 17h20min de 7 de julho de 2013 (BRT)

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